O PROCESSO DE REGIONALIZAÇÃO DO BRASIL
O espaço geográfico é um espaço diferenciado. Paisagens diversas aparecem aos olhos de quem se desloca, produzindo sensações de alegria, depressão, espanto, curiosidade, etc.
Viajando de carro ou de ônibus, observamos uma sucessão de imagens: montanhas e vales desaparecem e são substituídos por planícies, florestas verdejantes tomam o lugar de arbustos ressecados ou gramíneas rasteiras. Viajando de avião, abaixo do tapete de nuvens, observamos campos cultivados que desenham formas geométricas, pastagens extensas quase vazias, montanhas recobertas de árvores. Quando o avião decola ou aterrissa, aparecem edifícios, favelas, ruas movimentadas, chaminés: a paisagem da cidade.
Quais são as causas de todas essas diferenças? Por que o espaço geográfico apresenta paisagens tão variadas?
A primeira causa da variedade de paisagens está na natureza. A natureza é bastante diversificada. Ela produz variações muito grandes no espaço geográfico. Climas, relevo, solos e vegetação são responsáveis pelo aparecimento de diferentes paisagens naturais. Lugares muito quentes e secos exibem vegetação pobre, de arbustos cinzentos e gramíneas esparsas. Lugares quentes e úmidos exibem vegetação florestal e grandes rios. Em lugares frios aparecem monótonas florestas de pinheiros.
A Segunda causa da variedade de paisagens está na sociedade. A produção de riquezas e as culturas diferenciam o espaço geográfico e as paisagens.
Algumas áreas foram ocupadas pela economia moderna a tempos. Com isso, foram profundamente modificadas pelo trabalho social dos homens que ergueram cidades e indústrias, cultivaram os campos, construíram rodovias e ferrovias. Outras áreas dedicam-se à produção agrícola tradicional.
Regionalizar o espaço geográfico é dividi-lo em regiões, levando em conta as diferenças paisagísticas e a organização sócio-econômica das diversas áreas. É possível regionalizar espaços geográficos grandes ou pequenos. Pode-se regionalizar um bairro, dividindo-o em áreas residenciais, industriais, e comerciais. Pode-se também dividir o mundo inteiro, identificando, por exemplo, regiões desenvolvidas e subdesenvolvidas.
A divisão regional oficial
A ocupação humana e econômica do território brasileiro produziu modificações importantes no espaço natural. Em vastas áreas, a vegetação original foi quase inteiramente destruída, como aconteceu com as matas tropicais dos mares de morros ou a mata de araucária nos planaltos do sul do país. No seu lugar, surgiram pastagens, campos cultivados, regiões industriais, cidades.
As primeiras propostas de divisão regional do Brasil baseavam-se nas diferenças da paisagem natural. Atualmente, porém, não faz mais sentido elaborar uma divisão regional que não leve em conta as alterações da paisagem produzidas pelo homem.
Por isso, a divisão oficial do Brasil em regiões baseia-se principalmente nas características humanas e econômicas do território nacional. A regionalização elaborada pelo IBGE divide o país em cinco macrorregiões. Os limites de todas elas acompanham as fronteiras político-administrativas dos estados que formam o país.
Cada uma das macrorregiões do IBGE apresenta características particulares. São "sinais" que ajudam a identificá-las, como os sinais de nascença ou as impressões digitais distinguem as pessoas. Alguns desses sinais são muito antigos, como se a região já tivesse nascido com eles: trata-se das características naturais impressas na paisagem. Outros são recentes: foram, e continuam sendo, produzidos pela atividade social de construção do espaço geográfico.
A região Sudeste é a mais industrializada do país e também a mais urbanizada. As maiores empresas instaladas no país têm as suas sedes no Sudeste. Nessa região, estão as duas principais metrópoles brasileiras: São Paulo e Rio de Janeiro. O domínio natural mais importante é o dos mares de morros, antigamente recoberto por verdes matas tropicais.
A região Sul caracteriza-se pela presença de numerosos descendentes de europeus: alemães, italianos ou eslavos. Essa região apresenta também os melhores indicadores sociais do país. A sua agropecuária, moderna e produtiva, transformou-a em fornecedora de alimentos para todo o país. É a única do Brasil com clima subtropical.
A região Nordeste já foi a mais rica, na época colonial. Depois, sua economia declinou e ela se transformou na mais pobre região brasileira. Por isso, tornou-se foco de repulsão de população. Os migrantes nordestinos, ao longo do século XX, espalharam-se por todo o país. Atualmente, o rápido crescimento econômico de algumas áreas do Nordeste está mudando essa situação.
As regiões Centro-Oeste e Norte são os espaços geográficos de povoamento mais recente, que continuam a sofrer um processo de ocupação. Por isso, a paisagem natural encontra-se, em grande parte, preservada.
A região Centro-Oeste, espaço dos cerrados, começou a ser ocupada mais rapidamente após a construção de Brasília, inaugurada em 1960. De lá para cá aumentou bastante a população regional. Aumentaram também a criação de gado e a produção agrícola. Mesmo assim, existem áreas com densidades demográficas muito baixas, como o Pantanal.
A região Norte, espaço da floresta equatorial, é de ocupação ainda mais recente. Mas essa ocupação vem crescendo rapidamente. A derrubada da mata, as queimadas, a poluição dos cursos de água por garimpos e os conflitos pela posse da terra são conseqüências ambientais e sociais da colonização da Amazônia.
Os complexos regionais
Existe outra forma de regionalizar o Brasil, de uma maneira que capta melhor a situação sócio-econômica e as relações entre sociedade e o espaço natural. Trata-se da divisão do país em três grandes complexos regionais: o Centro-Sul, o Nordeste e a Amazônia.
Ao contrário da divisão regional oficial, esta regionalização não foi feita pelo IBGE. Ela surgiu com o geógrafo brasileiro Pedro Pinchas Geiger no final da década de 60, nela o autor levou em consideração o processo histórico de formação do território brasileiro em especial a industrialização, associado aos aspectos naturais.
A divisão em complexos regionais não respeita o limite entre os estados. O Norte de Minas Gerais encontra-se no Nordeste, enquanto o restante do território mineiro encontra-se no Centro-Sul. O leste do Maranhão encontra-se no Nordeste, enquanto o oeste encontra-se na Amazônia. O sul de Tocantins e do Mato Grosso encontra-se no Centro-Sul, mas a maior parte desses estados pertencem ao complexo da Amazônia. Como as estatísticas econômicas e populacionais são produzidas por estados, essa forma de regionalizar não é útil sob certos aspectos, mas é muito útil para a geografia, porque ajuda a contar a história da produção do espaço brasileiro.
O Nordeste foi o pólo econômico mais rico da América portuguesa, com base na monocultura da cana de açúcar, usando trabalho escravo. Tornou-se, no século XX, uma região economicamente problemática, com forte excedente populacional. As migrações de nordestinos para outras regiões atestam essa situação de pobreza.
O Centro-Sul é na atualidade o núcleo econômico do país. Ele concentra a economia moderna, tanto no setor industrial como no setor agrícola, além da melhor estrutura de serviços. Nele se também a capital política do país.
A Amazônia brasileira é o espaço de povoamento mais recente, ainda em estágio inicial de ocupação humana. A área está coberta por uma densa floresta, com clima equatorial, que dificulta o povoamento. Os movimentos migratórios na direção desse complexo regional partem tanto do Centro-Sul como do Nordeste, sendo que hoje a região mais recebe população.
Essa é uma visão superficial da organização do espaço geográfico brasileiro. Ela resume as principais características naturais e humanas de cada uma dessas regiões. Por serem vastas áreas, verdadeiros complexos regionais, o Nordeste, o Centro-Sul e a Amazônia registram profundas desigualdades naturais, sociais e econômicas. As regiões apresentam diferenças entre si e variedade interna de paisagens geográficas.
Em meio à pobreza tradicional, o Nordeste abriga imensos recursos econômicos e humanos, que apontam caminhos para a superação de uma crise que já se prolongou demais. As transformações introduzidas nas zonas irrigadas do Vale do São Francisco e a criação de zonas industriais na área litorânea comprovam essa possibilidade.
A geração de riquezas no Centro-Sul tornou essa região a mais rica do país, estabelecendo um pólo de atração populacional que, no século XX, originou as maiores metrópoles nacionais. O ritmo acelerado desse crescimento criou disparidades sociais gravíssimas, como desemprego, favelamento, e problemas ambientais de difícil solução.
Áreas significativas da Amazônia já foram ocupadas, especialmente aquelas situadas na parte oriental da região ou nas margens dos rios. Hoje esse povoamento se acelerou muito, a tal ponto que os conflitos pela posse da terra se tornaram tristemente comuns. Formaram-se também grandes cidades, caracterizadas pelo crescimento explosivo e por profundos desequilíbrios sociais e econômicos.
Fonte: http://pessoal.educacional.com.br/up/4770001/1306260/t1310.asp, acessado em 25/04/2011
Assista ao vídeo que retrata um pouco da diversidade cultural brasileira:
Fonte do Vídeo:http://www.youtube.com/watch?v=U768yQ-CBYc&feature=related, acessado em 25/04/2011
Outro trecho foi retirado do Almanaque Abril, que comenta sobre uma nova forma de regionalizar o Brasil:
[...] "Proposta de regionalização no mundo globalizado - Um dos mais importantes geógrafos do Brasil, Milton Santos (3/5/1926-24/6/2001), propôs uma nova divisão regional, baseada no
sistema de relações que determina os fluxos de mercadorias, capitais e informações. No mundo globalizado, em que as distâncias foram relativizadas pelos avanços técnico-científicos, os
territórios passam a ser delimitados também pela infra-estrutura das redes de informação. Mas essas redes se difundem de forma desigual, o que permite uma divisão regional que reflita essas
irregularidades. Assim, a proposta do geógrafo divide o país em quatro regiões: Concentrada (Sul mais Sudeste), Nordeste, Centro-Oeste (atual mais o Tocantins) e a Amazônica (Norte, sem o
Tocantins).
Na Região Concentrada estão os dois maiores aglomerados urbanos do país – as regiões metropolitanas de São Paulo e do Rio de Janeiro. Nela encontram-se os maiores Produtos Internos
Brutos (PIBs) nacionais, os aeroportos e as linhas de telefonia mais movimentados, os jornais de maior circulação e mais da metade da população do país. Outra característica é a recente
descentralização industrial.
O Centro-Oeste surge como área de ocupação periférica apoiada na agricultura de exportação (soja, milho, algodão e arroz) e na modernização subordinada às necessidades das empresas
com sede na Região Concentrada.
No Nordeste, apesar de a infra-estrutura das redes de informação ser descontínua, a globalização já começa a ser percebida. É o caso das áreas irrigadas do sertão, cujas lavouras de frutas
tropicais e de flores vêm se destacando na produção nacional.
A região Amazônica caracteriza-se pela rarefação demográfica, baixa densidade técnica e predomínio de atividades tradicionais, como o extrativismo vegetal. As cidades mais importantes
estabelecem a relação da região com o resto do país...."
sistema de relações que determina os fluxos de mercadorias, capitais e informações. No mundo globalizado, em que as distâncias foram relativizadas pelos avanços técnico-científicos, os
territórios passam a ser delimitados também pela infra-estrutura das redes de informação. Mas essas redes se difundem de forma desigual, o que permite uma divisão regional que reflita essas
irregularidades. Assim, a proposta do geógrafo divide o país em quatro regiões: Concentrada (Sul mais Sudeste), Nordeste, Centro-Oeste (atual mais o Tocantins) e a Amazônica (Norte, sem o
Tocantins).
Na Região Concentrada estão os dois maiores aglomerados urbanos do país – as regiões metropolitanas de São Paulo e do Rio de Janeiro. Nela encontram-se os maiores Produtos Internos
Brutos (PIBs) nacionais, os aeroportos e as linhas de telefonia mais movimentados, os jornais de maior circulação e mais da metade da população do país. Outra característica é a recente
descentralização industrial.
O Centro-Oeste surge como área de ocupação periférica apoiada na agricultura de exportação (soja, milho, algodão e arroz) e na modernização subordinada às necessidades das empresas
com sede na Região Concentrada.
No Nordeste, apesar de a infra-estrutura das redes de informação ser descontínua, a globalização já começa a ser percebida. É o caso das áreas irrigadas do sertão, cujas lavouras de frutas
tropicais e de flores vêm se destacando na produção nacional.
A região Amazônica caracteriza-se pela rarefação demográfica, baixa densidade técnica e predomínio de atividades tradicionais, como o extrativismo vegetal. As cidades mais importantes
estabelecem a relação da região com o resto do país...."
Fonte: Almanaque Abril/ Editora Abril.
Abaixo você observa as diferentes formas de regionalização do Brasil:
Regionalização Geoeconômica

1- Amazônia
2- Centro-Sul
3 - Nordeste
Regionalização IBGE

ATIVIDADES
1 - Escreva com suas palavras o que é região.
2 - Na sua opinião, qual das formas de regionalização é a mais correta? Explique por quê?
3 - Qual das formas de regionalização valoriza mais o aspecto físico(natural) e qual valoriza mais o espaço sócio-econômico?
4 - Faça um comentário sobre a diversidade regional brasileira.
Isabela Sawada e Beatriz Sborz 7º ano
ResponderExcluir1- É uma porção do espaço que tem uma característica comum.
2- A regionalização que é baseada nas características humanas e econômicas e a divisão natural, por causa do desenvolvimento de cada lugar e as características da natureza.
3- A regionalização natural e a atual do IBGE.
4- O Brasil é um país com muita diversidade, natural e econômica, e também das crenças, da natureza... Por isso pode ser regionalizado de várias maneiras.
Henrique Juarez Zandonai 7º ano
ResponderExcluir1-Região é um espaço geográfico com muita diversidade no pais.
2-A regionalização do IBJE é mais correta, pois divide as regiões com oque elas tem em comum.
3-A regionalização do IBJE valoriza mais o aspecto físico(natural),porque,por exemplo, toda a parte da amazônia se identifica com a parte das florestas e as outras regiões com oque elas tem em comum.
A regionalização geoeconômica o aspecto sócio-econômico pois as regiões podem se unir e ter mais terra e dinheiro.
4-A diversidade regional é muito grande no nosso país,a natureza, as crenças, o modo de vida, as cidades, praias, etc.
Patrícia Necy Kopsch 7º ano
ResponderExcluir1-Região é um espaço geográfico, possuem características exclusivas.
2-A que baseia-se nas diferenças da paisagem natural e que leve em conta as alterações da paisagem produzidas pelo homem.
3-Aspecto fisico: natural e aspecto sócio-econômico a do IBGE.
4-O Brasil é um país muito extenso, isso gera a diversidade regioanl em todo o país, cada lugar tem uma paisagem, uma cultura, um modo de viver diferentes.
1- Para mim região é um espaço geografico que são aglomerados de acordo com suas caracteristicas parecidas
ResponderExcluir2- As duas formas estão certas pois cada uma indica uma caracteristica diferente de se aglomerar
3- Eu penso que o primeiro, porque o titulo já diz tudo GEU= natural ECONOMICA= economia ou algo parecido
4- Temos um pais muito diversificado principalmente aqui em Rio do Sul, pois vamos para um lado temos praia e se vamos para outro temos frio; temos no nordeste o calor de ferver e nosul temos as serras como a serra do Rio do rastro.
Joana 7 ano Colégio Dom Bosco
1-Região é um espaço geografico que tem características.
ResponderExcluir2-Todas pois estão querendo representar coisas diferentes.
3-a regionalização do ibje atual e natural.
4-o Brasil é um país que tem muita diversidade, tem muitas paizagens, várias culturas e o ambiente e o seu modo de vida.
affs qual é a posição do brasil nas duas formas de regionalização seus nerds?
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